População negra está sendo atropelada no debate da Reforma Política, defendem parlamentares negros
“Como vamos mexer com a estrutura de poder no Brasil”? A provocação da socióloga Vilma Reis resume bem como foi o tom dos debates no seminário “Reforma Política: onde entra a população negra?”, realizado na noite da última quarta-feira, 11 de maio, no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador. Parlamentares negros problematizaram alguns pontos polêmicos da Reforma Política, para uma atenta plateia que lotou o auditório do local.
Luiz Alberto disse ainda que há duas maiorias na sociedade debatendo o tema – negros e mulheres -, mas que no Congresso não tem força política para controverter essas questões. Na Câmara, nesta legislatura, dos 513 parlamentares, apenas 14 são negros, destes, três são mulheres. “Não querem debater a questão racial. Esta Reforma que se desenha pode piorar a situação de representação de camadas populares, que já são prejudicadas com o modelo atual”, afirmou o parlamentar baiano.
“A Reforma está sendo conduzida muito rápida, para que grupos divergentes não tenham tempo para se organizar e contestar aquilo que está sendo definido pelo grupo político que não quer a representação negra no poder”, problematizou a socióloga Vilma Reis, coordenadora da área de Direitos Humanos do Ceafro/Ufba, mediadora do debate.
Já o vereador Gilmar Santiago (PT) afirmou que há um esvaziamento da população no debate sobre a Reforma Política, motivada por alguns grupos que não querem a participação de certas camadas sociais. “Estudos mostram que a população negra no Brasil será de 70%, daqui 10 ou 15 anos. Por isso, é importante defender cotas no debate da Reforma, pois isto é atualizar o arcabouço político do país à realidade do seu povo”, defendeu.
PEC das “Cadeiras Negras”
“Estou apresentando uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende discutir um mecanismo de participação de homens negros e mulheres negras na lista fechada dos partidos políticos. Nela, 30% das cadeiras da Câmara Federal seriam reservadas para negros: 15% para homens e 15% para mulheres. É o que chamo de PEC das ‘Cadeiras Negras’”, apresentou o deputado federal Luiz Alberto, ressaltando que o processo da Reforma Política é complexo e profundo, no qual o povo negro precisa estar inserido.
O parlamentar disse também que a Frente Parlamentar Mista para a Reforma Política com Participação Popular, criada na Câmara Federal, propõe a realização de plebiscitos para que, efetivamente, a população possa participar das tomadas de decisão deste processo.
| Atores do Bando de Teatro Olodum estiveram presentes no evento |
Fotos: Carlos Eduardo Freitas
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